Permacultura para a Autonomia

Permacultura para a Autonomia

A prática dentro da Escola

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2010- retmando os trabalhos

O ano de 2010 começou e a escola retoma seus trabalhos… No espaço onde trabalhamos a permacultura não é diferente!Início de ano, depois do verão, significa rever o espaço, limpar o mato que cresceu, reavaliar como estão os canteiros, a espiral de ervas, o viveiro de mudas! E recomeçar!

Na foto abaixo nossa horta já com as mudas crescendo (maio/2010) e ao fundo a casinha de ferramentas pronta , colhendo água de chuva do telhado

Por isso o trabalho com permacultura nas escolas, para ser permanente, passar por alguns aspectos fundamentais:

  • apropriação dos conceitos de permacultura por parte das pessoas envolvidas ( os atores locais)
  • definição de um espaço permanente e contínuo para se trabalhar
  • espaço para construções coletivas, onde todas as turmas interessadas possam atuar em momentos distintos
  • diálogo permanente entre o pedagógico, o administrativo e os alunos

Com estes aspectos e cultivando a ética de Cuidar da terra, cuidar das pessoas e compartilhar excedentes vamos seguindo no nosso caminho. Na foto abaixo nossos maracujás, crescendo e dando frutos.

O mundo em bambu

A turma do 1º ano da prof. Giselda é composta por crianças com idade entre 6/7 anos. Este pessoal animado está com um projeto de Literatura, com histórias de vários lugares do mundo.


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Para a nossa Feira cultural no final de novembro, veio a idéia de construirmos um meio globo, bem grande, onde dentro pudéssemos colocar todos os livros das histórias que trabalhamos ao longo do ano.


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Assim começou o nosso mundo em bambu… Foi um trabalho de várias etapas, onde as crianças se envolveram bastante…

Como na escola temos touceiras de bambu, esse foi o material escolhido para fazer a “armação” do globo, juntamente com a Suzana que nos deu uma aula sobre as mil e uma utilidades desta planta. Conversamos também sobre os cuidados e a segurança no trabalho que iríamos fazer…

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Os alunos do 7º ano do projeto Transdisciplinar se encarregaram de cortar os bambus para facilitar o trabalho dos pequenos.
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Em seguida começamos fazendo um trançado de cestaria, 4 taliscas por 4.

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Depois fizemos a circunferência, que será a base do nosso globo!

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Neste trabalho, as mãos foram exigidas:  segurar, dar nós com o barbante foram os desafios…

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Depois foi o delicado momento de juntar as partes: a cruz de cestaria virando a “oca do índio”, e subindo para dar a forma tridimensional…

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Oca feita, vamos trançar mais taliscas, dando mais e mais a forma de “meio globo” para abrigar as histórias…

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A armação foi forrada com sacos de cebola ( ráfia) que pegamos num supermercado, posteriormente fizemos a “papietagem” com jornal e grude.


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Depois veio uma demão de tinta guache branca com cola, e por último um fundo azul, representado mares e oceanos.


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E finalmente, a terra, pintada de verde, representado os continentes… Lindo, não?


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Mudas e caminhadas

A meninada do TRANS dos quartos e quintos anos no ano de 2009, tem se dedicado a fazer mudas , cuidar delas no viveiro lá no espaço do portal. Esta turma com crianças entre 8 e 10 anos, trabalha com os professores Michel, Akhnaton e Barbara todas as sextas-feiras.

mudas

Fazer uma muda envolve, reconhecer as sementes, estudar e discutir do que são, como e onde vivem estas plantas e principalmente colocar as mãos na massa: preparar a terra, fazendo a mistura da terra com o composto preparado com resto de lanche da turma do infantil.

prepara terra michel

Ou seja, esta atividade faz parte de um complexo de relações, desde o que fazer com o resto de frutas do lanche, fazer composto, esperar o tempo para que ele fique pronto, misturá-lo à terra, colocar nos saquinhos, plantar, regar e cuidar das mudas no viveiro, até que ela fique pronta para ser transplantada.

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Muitas crianças fazem muitas mudas, algumas sofrem ataques de formigas, mas algumas espécies vivem,  muitas mesmo! E ai, aparece um “problema”, que é o que fazer com tantas mudas? Em algumas caminhadas, se é possível, plantamos mudas… No espaço da nossa agro-floresta, muitas mudas foram plantadas, mas temos a limitação dada pelo espaço da escola… Assim, em vários eventos da escola acabamos distribuindo mudas para as famílias, que vão plantando mudas por ai!

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Cordwood ou parede de toquinhos

A última parede que falta na nossa casinha das ferramentas será feita de uma técnica diferente, pois será de toquinhos de madeira e uma massa de terra, serragem, areia, cal e cimento. Esta técnica foi inventada na América do Norte e se chama CORD WOOD.

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Como nosso piso é de madeira, sempre iniciamos a parede colocando uma base de alumínio, separando a massa da madeira.  Estes tocos foram usados de mourões de cercas que a escola não usa mais, assim, pegamos as partes boas e serramos nos toquinhos.

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Em seguida começamos a colocar uma camada de massa para poder assentar nossos toquinho cortados num comprimento de 20cm cada um. Eles são assentados com uma distância entre si para poder colocar a massa também, como esta massa tem cal e cimento, é preciso usar luvas para proteger as mãos.

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Para colocar os tocos numa mesma linha, usamos um fio guia, que fica preso nos dois pilares que limitam a parede. Conforme a parede sobe, este fio guia sobe também.

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Depois de colocar casa toco, vamos preenchendo os espaços entre eles com a massa, que é modelada e fixada com as mãos.

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E assim nossa parede vai subindo!

No meio de uma das paredes decidimos fabricar “tijolos de vidro” assim, cortamos garrafas com uma antiga técnica de cortar vidro e depois, juntando dois fundos de garrafa cortadas, fizemos nosso tijolos que mostramos como colocar no video abaixo…

video management, video solution, video streaming

Curvas de nível com o Pé de galinha

Noss0 espaço fica numa encosta de morro, orientada para o oeste e sudoeste. Na parte mais alta e  íngreme estamos, desde o início dos trabalhos no espaço do TRANS, plantando nossa agro-floresta. Ali temos leguminosas e algumas frutíferas nativas de 5 anos, já plantamos e colhemos mandioca. Hoje temos ainda cana, mandioca e muitas frutíferas em panelas.

Nesta encosta decidimos fazer um canal de infiltração para permitir uma melhor penetração das águas de chuva.

O grupo dos sétimos estavam estudando curvas de nível num projeto de MTM e GEO  então, decidimos construir com eles o pé de galinha e fazer uma curva de nível.

pegalinhaEsta ferramenta é feita com duas ripas da mesma medida que formam um triângulo equilátero. No meio colocamos um apoio para o nível de bolha.

grupopedegalinha

Depois é ir caminhando com o pé de galinha e observar o nível colocado no apoio. As estacas são fincadas no terreno mostrando o “caminho” onde se está no mesmo nível…

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Depois é só cavar um canal e na borda de baixo plantar frutíferas e outras plantas como feijão e milho, que irão aproveitar as águas que infiltrarão na terra mais devagar.

Rebocando as paredes

As paredes do nosso paiol de ferramentas caminharambastante! No primeiro trimestre de 2009 os grupos dos sétimos anos, coordenados pelo Sérgio e Akhnaton experimentaram várias técnicas já relatadas neste blog, como Cob, pau-a-pique duplo com garrafas pet e palha leve. Bem, estava na hora de rebocar as paredes, dando o acabamento. Nesta fotos as paredes e as diferentes técnicas, já com a tela para receber o reboco.

parede-dentro

No reboco estamos usando uma mistura que lembra uma técnica colombiana chamada CALFETICE, pois leva CAL, FIbras naturais, TErra e CImento. Nossa receita de reboco foi:

2 baldes de terra,

1 1/2 bades de areia

1 balde de serragem (deixada de molho por 24h)

1 balde de cal

1/2 balde de cimento

Esta mistura exige luvas para colocar o reboco, já que a mistura agride as mãos. Nesta foto o início dos trabalhos, trazendo os materiais para fazer o reboco.

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Começamos fixando uma tela de pinteiro sobre as paredes para ajudar na fixação do reboco e para que ele não trinque depois. Sobre ele vamos jogando as bolinhas de massa- parte bem divertida, pois é arremesso de barro, literalmente!

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Em seguida Adrian, nosso apoio, ajuda passando a colher de pedreiro e alisando o reboco, como mostra a foto acima.

Depois de secar uma semana esta massa apresenta pequenas rachaduras- talvez pela espessura do reboco, talvez por termos argila demais na massa… Assim, passamos uma “nata” da mesma massa bem diluída, quase como uma tinta espessa… E o resultado é ótimo!

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Em outra parte das paredes foi feita uma segunda camada de reboco e o grupo decidiu decorar com marcas das mãos nas paredes…Nada mais criativo: fizemos as paredes com as mãos, elas podem estar atmbém na decoração!

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Visita a uma Unidade de Permacultura

O  Projeto “Duas Cidades Diferentes” realizado com os sétimos anos com os porfessores Michel, Suzana e Ana Carina, apresenta e propõe o intercâmbio e a convivência entre alunos da Autonomia, com alunos do Colégio Mauro Farias em São José do Cerrito.

Nesta saída de campo uma das vivências é  a chegada ao Sítio Raízes do Pedro Marcos, Elusa e Elena, que é uma unidade de permacultura que produz pinhão, suco de uva, grãos, queijo, etc. Na foto abaixo o grupo conversando com os proprietários podendo-se observar a cisterna que coleta água de chuva, o tanque de peixes, algumas frutíferas  e a espiral de ervas ao lado da casa. Esta casa foi reformada usando a bioconstrução- tem uma parede de palha e terra.

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Neste local o grupo tem uma aula sobre produção orgânica em baixo das parreiras que produzem uva que são processadas em suco de uva para ser vendido.

parreiras

Nesta foto o grupo ouve a explicação sobre tratamento de efluentes e esgotos, e podem visitar um banheiro seco ou sanitário compostável que funciona há anos no sítio Raízes.

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Repensar- 8º ano 2008

Este projeto, desenvolvido com os oitavos anos em 2008, instigou os alunos a repensarem seus hábitos, no que tem a ver com a produção de lixo e o consumo de água no planeta.

Pensar sobre o lixo que produzo e onde ele me incomoda e através das ferramentas de Matemática e Artes quantificar o lixo enquanto problema e propor soluções é a idéia das professoras Bea (Artes) e Suséle (MTM).

O projeto começa com uma coleta de lixo reciclável produzido por cada aluno num lanche de Fast Food. Com este material começa-se a discussão sobre lixo, reciclagem e volumes… O REPENSAR desde o que como e o meu lixo…

Dentro deste repensar  e reduzir, o grupo trabalhou sobre o consumo de água das casas e usando a matemática como ferramenta, discutiram o quanto chove em Florianópolis e qual a solução para diminuir enchentes e para ter água saudável. Assim, chegaram à propostas de coleta de água de chuva para uso doméstico. Nesta etapa visitaram e discutiram a construção de uma cisterna para este fim e de uma bacia de evapo-transpiração para tratamento de esgotos que estava sendo construída na casa da prof. Suzana. Na foto abaixo, Suséle e Suzana explicando aos alunos como será instalada a cisterna.

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Como produto final, na parceria entre Artes e Matemática, os grupos construíram caixas de madeira para a coleta do PROLIX (lixeiras para reciclar papel) que temos em cada sala da escola.

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A fala da professora de Matemática, Susele Zomkowski Raymundi ilustra como este diálogo entre a Permacultura e a sala de aula acontece:

“As idéias oriundas  da Permacultura se tornaram muito úteis para dar
significados a conceitos que pela matemática pura seriam desinteressantes.
Trabalhar com o problema do lixo e do consumo de água é muito prazeroso
tanto para mim quanto para os alunos. Ver que moramos numa cidade
privilegiada pelas chuvas e toda esta água poderia ser mais bem aproveitada
se fosse captada por cisternas  e também que somos responsáveis pelo lixo
que produzimos e  nossas atitudes não devam ser no sentido de reciclar e sim de repensar, é muito estimulante!”.

Na foto abaixo o cartaz que acompanhava cada caixa do PROLIX na mostra da Feira Cultural de 2008.

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REPENSAR: este lixo é problema meu!

Quando falamos em permacultura o repensar hábitos cotidianos e visualizar o que fazemos é um grande desafio… Falando com adolescentes, isto é ainda mais dífícil, visto que as crianças e jovens são o grande alvo da mídia como os consumidores.

Na fala dos professores “este projeto, desenvolvido pelos oitavos anos propõe a conscientização dos problemas que o lixo por nós produzidos e consumido pode causar ao nosso planeta e principalmente ao nosso corpo. Somos responsáveis pelo que consumimos, pelo lixo que produzimos e pelo destino que lhe será dado. As disciplinas de Ciências ( prof. Gerrá) , Matemática (Suséle) e Artes (Bea) criaram o projeto REPENSAR: “Esse Lixo é Problema Meu”, onde se pretende que cada aluno se torne responsável pelo que consome e pelo que produz.”.

Num primeiro momento os grupos vão a um FAST FOOD, discutindo tanto o lixo produzido, quantop a qualidade do alimento ingerido.

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Depois de estudar e analisar nutrientes e os nossos hábitos alimentares, o grupo visita um sitio de Produção orgânica, e veem o ciclo desde a produção até o consumo de alimentos saudáveis.

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Nesta visita o lanche veio de produtos do local ou comercializado em entreposto de produtos naturais.

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O contraste, além da qualidade dos alimentos, passou pela proposta “traga de volta para a escola o lixo o seu lixo”… Como foram usados copos de vidro, o único resíduo foram os guardanapos.

copos-quintal

Paredes de palha

A palha é um material muito usado quando falamos de bio-construções. São várias as técnicas que usam este material como COB e adobe. Uma das técnicas mais leves e rápida é a Taipa Leve ou Palha leve.

A taipa leve é a palha coberta de uma calda grossa de água e barro. A palha bem molhada é colocada numa forma e socada. Ao secar, está dura e é um excelente isolante térmico e acústico. Na foto abaixo, Akhnaton e a moçada do sétimo ano molhando a palha com a calda de barro.

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Nossa palha leve seguiu a idéia do Pau-a-pique, assim, colocamos as ripas de bambu fazendo o papel de forma, socamos a palha dentro e depois de seca esta parede receberá o reboco natural. Mas antes de ir para a parede é preciso misturar bem, para que toda a palha fique bem molhada do barro, como mostra a foto abaixo.

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Depois é só levar para a forma, colocar entre os bambus cortados e pregados nos pilares da estrutura e socar com um toquinho para compactar bem, como mostra a foto abaixo, com o Sérgio observando as gurias compactando nossa parede.

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Ao final ela fica assim! Acredite que ao secar está dura e pronta para receber o reboco por fora!

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